O racionamento efetivamente começou no Espírito Santo. Na semana que passou o governo do Estado começou a acionar 14 prefeituras que possuem Termos de Ajuste de Conduta já estipulados para situações de cheia ou escassez hídrica. Em alguns municípios o corte chega a 50%.
Rio Santa Maria da Vitória - Foto: Reprodução/Cesan
Nesse primeiro momento, a atividade agrícola será a grande atingida. Diminuir os gastos na indústria é o segundo passo. Porém, se não chover, o controle sobre a água pode sim chegar a sua torneira. “Precisamos tentar garantir a vazão para o abastecimento público. Mas, se não chover, a estiagem pode afetar a área urbana”, alertou Robson Monteiro, diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH), responsável por implantar, executar e gerenciar a Política Estadual de Recursos Hídricos.
Em um Estado totalmente dependente de suas bacias hidrográficas, preocupa o atual estado dos rios. O maior manancial de água doce do Espírito Santo, o Rio Doce, está com 11% do volume esperado para essa época do ano. Os dois rios que abastecem a Grande Vitória também enfrentam problemas. O Rio Jucu está com 30% de sua vazão e o Rio Santa Maria com 28%. Esses resultados foram obtidos em medições feitas na última quarta-feira (21). A situação dos rios de todo o Estado será novamente feita na próxima segunda-feira (26).
Com esses dados em mãos, o governo, entidades ambientais e os consórcios das bacias dos Rios Santa Maria e Jucu irão se reunir na próxima semana. O objetivo é avaliar medidas a serem tomadas na Grande Vitória frente à crise hídrica. “É complicado se preparar para algo que nunca aconteceu. Temos problemas no Estado inteiro. Na prática, o sinal passou do amarelo para o amarelo piscando”, disse Robson Monteiro.
O diretor-presidente da AGERH, e também o secretário de Estado da Agricultura, Octaciano Neto, vêm percorrendo municípios para acompanhar a situação hídrica de perto, bem como sensibilizar as localidades a adesão do racionamento. As cidades de Itaguaçu, Montanha, Itapemirim, Guarapari, Sooretama e Alegre, entre outras, são algumas das que tem relatos de problemas hídricos. De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Alegre (Sul do Estado), não chove significativamente (acima de 5mm) desde 14/12/14.
Perdas:
Segundo os levantamentos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a estiagem já provocou perdas na ordem de R$ 1,3 bilhão na agricultura e justamente essa área será a primeira a colaborar – a maior parte da água doce é utilizada na agricultura (69%). Em segundo lugar está a indústria (22%) e na terceira posição o consumo humano (9%).
Planejamento:
A bióloga especialista em recursos hídricos, Maria Aparecida Pimentel, confirma que essa é a pior seca da história da Região Sudeste. Mesmo sendo algo sem precedentes, ela acredita que poderíamos estar mais bem preparados para ela. “A crise que passamos na região sudeste certamente não poderia ser evitada. Mas, se tivéssemos planejamento, certamente seria com menores impactos”, analisa.
O Governo garante já estar intensificando campanhas educativas sobre consumo inteligente dos recursos hídricos. A AGERH está criando o Programa Capixaba de Segurança Hídrica e do Uso Sustentável da Água. Além disso, enumera possuir 34 projetos de barragens aptos a serem licitados. A construção de uma rede integrada de monitoramento dos rios também está prevista. . Porém, nenhuma solução efetiva foi apresentada. “Não fazemos mágica”, admitiu o diretor-presidente da AGERH.
Fonte: Leiase


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