Crise Hídrica x Governo Negligente, na visão de Breno Caetano

Breno Caetano

A região metropolitana de São Paulo vive hoje a pior crise hídrica dos últimos 80 anos. O sistema da Cantareira, responsável por abastecer a capital e outros municípios, nunca registrou números tão baixos, segundo especialistas, se continuar nesse ritmo e nessas condições, o sistema pode secar ainda em Março.

                                                                                                       Foto: Reprodução

 Diversos fatores contribuíram para a seca, dentre eles estão: A falta de chuva, a falta de conscientização da população e o descaso do governo estadual.

A falta de chuva ocorre devido ao impedimento da passagem da Massa Equatorial Continental, que deriva da Amazônia e traz umidade para o oeste de Minas e São Paulo. A deficiência dessa massa de ar está diretamente ligada ao desmatamento da maior floresta tropical do mundo, pois durante a fotossíntese, as árvores removem o dióxido de carbono da atmosfera, diminuindo a temperatura terrestre, ou seja, elas funcionam como um ar condicionado.

Além disso, na parte mais quente do dia as plantas “soam”, num processo chamado evapotranspiração, que devolve a umidade do ar. Se todas as árvores estivessem no seu devido lugar, o Brasil todo não estaria sofrendo com a falta de chuva.

Com isso, entramos na falta de conscientização da população. Se todos sabem que o desmatamento da Floresta Amazônica influencia diretamente na climatização do país inteiro, por que continuar a desmatar? É muito simples, hoje o dinheiro e o poder estão acima de qualquer bem estar, não se pensa mais nas gerações futuras, o importante é fazer dinheiro.


E constitucional que, a responsabilidade do saneamento básico é do governo estadual, o governo federal não tem obrigação de encontrar uma solução para a crise hídrica, apesar da presidenta Dilma Rousseff ter oferecido pessoalmente o apoio ao governador Geraldo Alckmin. Especialistas confirmam que o racionamento de água deveria estar em vigor a muito tempo, mas a demora nas decisões não são as únicas deficiências desse governo que em 20 anos de administração colocou a 6ª maior cidade do mundo no mapa da seca.

Hoje, a região metropolitana da capital econômica do Brasil possui 8 complexos responsáveis pela produção de mais de 60 mil litros de água por segundo. Dos 8 apenas 6 estão funcionando, ou seja, se todos estivesse ativos, talvez a escassez de água não estaria tão grande.

O sistema da Cantareira, que é o maior dos complexos, está com menos de 7% da sua capacidade total de armazenamento, e para suprir a necessidade do abastecimento da região metropolitana, a medida tomada foi transportar água de outros sistemas mais cheios, sem ao menos pensar que se a falta de chuva continuar teremos um círculo vicioso, que vai acabar gerando a seca dos outros sistemas do complexo.

Podemos considerar também além de um descaso com a população, um crime contra o equilíbrio ecológico. O governo do estado de São Paulo já deveria ter iniciado o processo de despoluição do rio Tietê e Pinheiros, que segundo especialistas, poderiam ser a solução para a crise hídrica caso não estivessem poluídos. A desculpa do governo tucano é simplesmente o custo da obra, sendo que já foi comprovado que a cada 1 dólar investido em saneamento básico se economiza 8 dólares em saúde pública. Estudos comprovam que é possível despoluir os rios, porém não é prioridade do governo que aos poucos esta se revelando.

O tribunal de contas de São Paulo revelou no mês passado, irregularidades em empresas que executam as obras públicas. A tramoia está na superfaturação de preços em processos de licitação e na subcontratação de empresas derrotadas.

Infelizmente hoje nos meios de comunicação, a crise hídrica só é retratada como consequência da falta de chuva, sendo que há uma série de fatores por trás dessa calamidade.

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