Mais uma sessão tumultuada na Câmara de Afonso Cláudio

                             Foto: Kennedy Lenk / Rádio Educadora AM
Kennedy Lenk / Montanhas Capixabas

A sociedade já demonstra irritação com o impasse criado entre o legislativo e o executivo, por conta da camada asfáltica de Afonso Cláudio, iniciada quinze dias antes da eleição para governador, e que ainda não foi concluída. De um lado, um grupo de vereadores alegam estar realizando o papel de fiscalizar uma obra que iniciou fora dos parâmetros legais. Do outro, o prefeito, que quer dar continuidade à obra, cujo projeto de dotação orçamentária que ele enviou para apreciação não foi aprovada ontem (24), em uma sessão extraordinária.

O plenário ficou lotado por representantes da sociedade civil, que esperavam por um final diferente. Muitas vaias surgiram quando o último vereador contrário à continuidade da obra concluiu sua fala. A sessão foi encerrada pelo presidente Nilson Lopes, após alguns vereadores se retirarem. Segundo eles, foi protocolado no Tribunal de Contas um processo que deve ser avaliado. Entre outros argumentos, os vereadores questionam a espessura e a qualidade do asfalto utilizado pela empresa responsável pela obra.

Os vereadores contrários aproveitaram o momento para argumentar que existem prioridades no município que o prefeito não está dando o retorno. Para muitos moradores, esse argumento é uma estratégia utilizada para despistar o povo do real motivo do impasse. Uma cidadã do Bairro Grama, que preferiu não ser identificada, disse que os vereadores contrários à obra estão fazendo jogo de interesses acima do bem comum do município. Ela lembrou que existe risco de acidentes nas ruas que já receberam o asfalto, por falta de sinalização.

“Isso é uma vergonha para o nosso município. Nunca na história da Câmara tivemos uma tão clara situação de vaidade entre os vereadores, de falta de comprometimento com o povo. Depois discursam de bonzinhos. Independente se o asfalto chegou no momento de eleições, a obra é de grande importância para a população. Agora fica esse jogo de interesse, para mostrar poder e dar o troco ao prefeito, que apoiou a atual mesa diretora da Câmara. Isso não é democracia, é burrice. E quem perde é a sociedade”, esbravejou a dona de casa.

O representante do governo, Manuel Rafael Campos, o “Paulistão”, afirmou que os vereadores contrários à execução da obra querem colocar o prefeito em suas mãos a fim de interesses próprios. Ele disse ainda, que a população deve continuar frequentando as sessões para que todos saibam quem realmente é vereador do povo. Paulistão repetiu sua fala da Tribuna da Câmara em um programa da Rádio Educadora e acrescentou que o projeto de Dotação Orçamentária enviada pelo prefeito à câmara é legal e deveria ter sido aprovado.

Os vereadores que fiscalizam a obra e que, segundo eles, aguardam a aprovação do projeto pelo Tribunal de Contas do Estado, são: Nilton Luciano de Oliveira (PP), Romildo Camporês da Silva (DEM), Romildo ValseirHortoloni (PDT), Luiz Temóteo Dias Vieira (PSDB) e Flaviana Almeida Herzog (PPS). Já o presidente da Câmara Nilson Lopes (PSB), Francisco Braga (PP), Otávio Saiter Filho (PRB) e Manuel Rafael Campos (PSB), aprovam a continuidade do projeto, que tem o aval da Contabilidade e Comissão de Justiça da Câmara.

Fonte: Montanhas Capixabas

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